Até que Aconteça com Você

São tantos assuntos e me falta tempo para escrever tudo o que eu gostaria, mas eu preciso, agora, escrever sobre esse vídeo. Ok, ele foi lançado há meses atrás... mas eu não vi, apesar de já ter ouvido essa música. Não sou um@ grande fã de Lady Gaga, mas gosto da sua atitude, das suas ideias, coisa que tem faltado em um tempo onde temos muitos juízes implacáveis e fundamentalistas cristãos.

Minhas alunas que me indicaram esse vídeo. Primeiro, eu prestei atenção na letra, ouvi só a música, e me tocou bastante, mas ao ver o vídeo eu chorei. Chorei porquê essa realidade acontece todos os dias, não apenas em campus de universidades mundo afora, mas em todos os lugares.

Os últimos acontecimentos, incluindo o caso infeliz daquela garota que foi violentada por muitos homens, e que ainda teve mulher que a condenasse, me fizeram distanciar-me um pouco de tantas notícias ruins, mas não adianta tentar se alienar. Nunca fui alienada. E ainda teve o massacre da boate, em Orlando, esta semana. Eu li no site da CNN, mas me disseram que os comentários, em sites brasileiros, eram cruéis e desumanos. Não vou reproduzi-los aqui.

Todos os dias temos um 7 x 0 diferente. E ainda quando reclamamos direitos, sejamos negr@s, gord@s, LGBTTs, mulheres, enfim, ainda vem com essa de "mimimi", de achar que o outro tem que engolir a humilhação, ficar quietinho, silenciado, achar que tudo não passa de piada.

Me lembrei de um comentário infeliz que li esta manhã, que uma mulher ainda respondeu assim: "nem sou feminista, mas sei que está errado". Mulheres que não acreditam em mulheres, que não as apoiam, por isso que outro dia eu li que sororidade é um mito. Ainda não quero chegar a esse ponto.

O que eu quero deixar registrado é o meu repúdio contra a violência em todas as suas formas: os relacionamentos abusivos, o racismo, a mania de achar que tudo é vitimismo (NÃO, NÃO É), a LGBTTfobia. Meu repúdio contra aqueles que atacam o feminismo, a mulher negra (estive lendo no Brasil Post sobre aquela participante Gleice, do Masterchef Brasil), a mulher em geral, as lésbicas que são mais masculinizadas (elas são e se vestem como quiserem!), as mulheres que não curtem mesmo serem femininas e, nem por isso, são menos mulheres (elas podem ser CIS sim, não precisa ser homossexuais).

A gente precisa ter mais empatia, mais solidariedade. Não adianta se dizer cristão se suas atitudes são totalmente contrárias. Não adianta postar mensagem fofa no Face e no Twitter, se no dia-a-dia, a pessoa critica de forma cruel e amarga as atitudes e o modo de ser daqueles que são diferentes. Cada pessoa tem o direito inalienável de ser feliz, de viver sua vida, sua sexualidade, sua beleza, desenvolver sua força, fé e inteligência. Não estamos vivendo apenas a cultura do estrupo, mas a cultura do medo, da negação do outro, do direito de opinião que se torna discurso de ódio.

A gente nunca sabe o dia de amanhã, sempre menosprezando a desgraça do outro, até "louvando" a Deus (esse tal deus tem característica de satanás, pelo que vejo),  pela tal desgraça ter acontecido ao outro. O mundo dá voltas. A vida é eterna. A gente nunca sabe o dia de amanhã. Até que aconteça à você.


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